Na estação de trem,
No calor infernal do verão,
Derramamos lágrimas em comum - 
A partida iminente cortava os ares
E os miocárdios.

Trocamos cartas, livros
E juras.
Não prometemos promessas
Que não poderíamos cumprir.

Me recusei a dizer adeus,
Pois seguir com tua ausência 
Me parecia anti-natural,
Inconcebível.

Deixaste o rastro da saudade,
E tua marinière segue cá sobre minha cama.
Eu a tomo nas mãos, fecho os olhos
E peço ao universo que chegues.

Tua camisa é a prova 
De que vivemos o que vivemos,
E que não foi ficção, filme,
Nem invenção. 






Vou carimbar todas as páginas do meu passaporte
Pra te ver de novo. 

No fim do dia, 
Eu só queria 
Teu sorriso estampado
Meio torto, sem jeito,
Mas feliz por me ver.

No fim do dia, 
Eu só queria 
Te ter por perto
O teu abraço certo,
Teu carinho,
Teu zelo.

No fim do dia,
Eu só queria
Descansar minha cabeça
No teu peito
E dormir, aliviada
Por te ter aqui.

No fim do dia,
Eu só queria 
Que tua janela não fosse tão longe da minha,
E que eu pudesse te ver não só por foto.

No fim do dia, 
Eu só queria
Que a saudade não machucasse,
Nem que demorasse tanto
Para os teus olhos mergulharem nos meus de novo.

No fim do dia, 
Eu só queria
Entrelaçar minhas mãos nas tuas,
Sentir teu cheiro, 
E não mais me engasgar nos meus soluços- 
Constantes, desesperados...



Pois tua ausência me corrói por dentro.








Hoje o dia foi nostalgia.
Passei o tempo lembrando de minhas andanças
De Paris às 09:00h da manhã,
Dos boulevards,
Dos pombos,
Do calor infernal,
De Montmartre,
Do meu irmão Aristide,
Da minha escola de francês,
Do croissant amanteigado que derretia na boca,
Do meu cartão de metrô.
Paris arrancou-me um pedaço d'alma.
Ainda volto lá para buscar...


Eu já não escrevo nada que preste.
Não sei se é a idade,
Ou se são as mágoas que, tantas,
Bloqueiam-me o raciocínio.

Talvez eu já tenha passado da fase
Sentimental-mor, 2° geração...
As pombas já estão voltando,
E minha bagagem segue crescendo.

Eu vi o mundo,
E me alegrei, e me frustrei.
Sei que cada lugar tem seu crème brûlée
E suas mazelas.

Hoje sou um mix de pessimismo
Junto a uma boa dose de esperança.
Às vezes, a realidade parece confusa,
Mas apenas dou graças a Deus
Por me permitir estar aqui e poder ver.

Sou grata a Deus, sim, 
Ao Deus que vive dentro de mim -
Ele ri. 

Eu ando e vejo: é triste.
O calor nos rói os ossos,
Como se fosse punição;
Todo dia, rezo, e só peço
A Deus - se é que existe-
Que nos tenha piedade.
Somos tão falhos, tão mesquinhos,
Acomodados, auto-interessados;
Deus, oh, meu Deus!
Tende piedade de nossa pequenez,
Que acha normal ver gente dormindo
Na rua, sem sandália no pé.
Eu vejo, e é triste.
Piedade por nossa impotência,
Ou até mesmo falta de empatia.
Perdoai nossa ganância,
Que tira da boca a comida
Dos pobres desvalidos
Vítima de nossas mãos.
Eu vejo, e é triste.
Eu vejo, e choro baixinho.
No fim do túnel, havia uma luz :
Era eu, que renascia.
Achei a solução depois das algemas,
Fiz-me livre, voei!
Voltei com os dois pés no chão
E um bálsamo intenso, brilhante
Pulsando dentro do peito: vida.
Larguei o chumbo, e as feridas
Já são hoje cicatriz.
Quase caio, mas não quis.
Escalei o poço, fui feliz.
Levo em minhas entranhas uma alegria 
Que se não for Deus, eu não sei mais.
Eu sou luz que irradia, alumia
E transborda.
Eu sou gratidão e riso.
Eu sou o vento que se espalha 
E sai beijando as peles, a vida...!
Sou o sorriso atrasado,
Que demorou, mas agora aquece.