Do inesquecível, as flores.

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E começava mais um dia tão belo quanto glorioso , no Olimpo. Nada novo até então. Zeus mono-
logava com seus trovões e raios, Hefesto já segurava, ao brilhar o primeiro raio de sol , seu martelinho, e ia dando forma
a seus metais. Hera abençoava todas as famílias, Eros brincava com os tolos mortais, de corações ingênuos,
enquanto que Afrodite penteava seus longos e dourados cabelos , e recitava sonetos perfeitos,escritos por Atena,
elogiando a si própria. Dioniso e Hermes seguiam fazendo orgias, fartando-se de vinho e falando sobre assuntos
um tanto inúteis, sem nexo. No entanto, Deméter não olhava para os céus, e sim, para baixo . Repentinamente, teve vontade de descer,
passear entre os humanos e viver uma espécie de aventura eufórica. Pegou , pois , uma capa , vestiu-a e partiu.
Oh,como era linda , a cidade! A deusa ,curiosa, passeou entre os mercados , fitou romãs suculentas, tâmaras e pês-
segos , apreciou as mais belas oliveiras , deleitou-se ao notar o dinamismo com o qual as coisas aconteciam naquelas
terras. O tempo , coisa das mais traiçoeiras que existe , fez-se brincalhão que nem criança , e logo passou.
Já ia anoitecendo, quando a divindade aventureira avistou um rapaz robusto, belo, com olhos de cor mel, rosto esteticamente
perfeito, lábios delgadamente aveludados e bochechas coradas, com um sorriso que fazia os outros sorrirem,de tão bonito.
Eis que Deméter aproximou-se do moço e, fingiu um tropeço, deixando cair no chão as maçãs que havia na cesta em suas mãos.
O moço ajudou-a, pegou todas as frutas e as devolveu. Deméter, ao fitar os olhos do rapaz, sentiu algo novo,que nunca havia
ousado em pensar em sentir. Ficou lá, diante do jovem rapaz , mergulhando em seus olhos, e apreciando-lhe o sorriso.
O moço apresentou-se. Chamava-se Primum Diverus . Eis que Diverus perguntou o nome da bela moça que encontrava-se
em sua frente , e Deméter respondeu -lhe. Naquele momento, pareceu até que Eros lhes havia pregado uma peça,
uma vez que a paixão foi instantânea e enlouquecedora , de força imensurável e ardente. E com um beijo, tudo consolidou-se.
Deméter, logo quis ficar entre os mortais, com seu amado, Primum. E de fato, o fez. Passados alguns dias, Afrodite notou
a ausência da companheira , e procurou-a. Olhou para baixo, e viu ,no mundo dos homens , Deméter vivendo sua paixão incandescente
com aquele belíssimo rapaz, exemplo de perfeição. Ora, a inveja da deusa da beleza foi tamanha, que ela desejou matá-lo.
E consumou seu desejo. Após um dia chuvoso, quando Primum saiu para colher alguns figos no jardim da casa em que morava ,
Afrodite fez aparecer uma figura de Deméter, que correu na direção de um buraco,e caiu. Primum, logo correu para salvar sua amada,
caiu,também, e morreu. Deméter ,pouco depois, notou sua ausência, e saiu a procurá-lo pelo campo afora. Não o encontrando,e sem mais
esperanças ,fez da terra nascer flores, em um certo período, todos os anos, de forma a sinalizar para o seu amado que dele, nunca haveria de se
esquecer. Surgiu, assim, a primavera.

Natália Monte

Developer

A paixão pela escrita sempre foi característica de Natália Monte: alagoana de gênio forte, começou a escrever quando criança, e o envolvimento com as letras só aumentou com o passar dos anos. Escreve o que pensa, o que vê e o que sente. Descreve através desta página a maneira singular com a qual vê o mundo, sua proposta é justamente expor tal universo particular, ou melhor, seu "reino". E como em todo conto infantil os reis são a autoridade máxima, a autora brinca: " Um dia, fui rei!". Rei de suas ideias, aspirações, e do colorido único que só sua imaginação tem.

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