Para sempre ausente

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Conta-se que certa vez , Poseidon desceu os olhos do Olimpo e decidiu aventurar-se pelos mares da Terra. Nadou de Chipre até a Sicília, onde, exausto, deitou-se numa rocha e pôs-se a descansar. Eis que uma jovem pescadora, de um notável olhar castanho e de gentileza imensurável avistou a figura deitada na rocha , em plena tempestade. A moça pegou sua humilde canoa e foi resgatar o rapaz. Com dificuldade, colocou o moço adormecido no transporte e remou no sentido da vila em que morava. Poseidon dormia. E a jovem o acomodou em seu quarto, velou seu sono dia e noite, pensando que o homem estava morto. Três noites mais tarde, após aflição tremenda por parte da mocinha, o deus acordou. A jovem, de nome Saudade, fitou seus olhos e concluiu que eles eram de um azul imenso, mais profundo que todos os oceanos e mais misteriosos que a lua , com todas as suas fases. Foi tarde demais, apaixonaram-se automaticamente.
E desde então sucedeu apenas felicidade. Paixão ardente unia os dois. De dia, Saudade colhia tâmaras no jardim em volta de seu casebre e as vendia, enquanto que o deus dos mares surgia com peixes nas mãos. A vida dos dois era simples,mas cheia de amor. Poseidon nunca sentira tão intenso sentimento, cada vez que lembrava de sua amada, e esta encontrava-se ausente , dizia seu nome em voz alta, nunca mais lembrara-se do Olimpo.
Um dia, Afrodite descobriu o romance de Poseidon e o ciúme a consumiu por completo. Resolveu, pois , vingar-se de seu antigo amado,enquanto este havia ido à cidade vender peixes. A deusa da beleza fez aparecer uma figura no mar, e imitando a voz do deus dos mares gritou por socorro. Saudade atirou-se na água e nadou tanto que seu corpo esgotou-se, morreu afogada. Quando Poseidon chegou em casa e não encontrou sua amada, gritou seu nome,Saudade, demasiadamente, a todo instante e permaneceu a gritá-lo por toda a eternidade, uma vez que esta última estava ,para sempre, ausente. Então, o deus fez todos os mortais lembrarem o nome de seu falecido amor a cada vez que sentissem falta de alguém, surgindo assim, o sentimento da saudade.

Natália Monte

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A paixão pela escrita sempre foi característica de Natália Monte: alagoana de gênio forte, começou a escrever quando criança, e o envolvimento com as letras só aumentou com o passar dos anos. Escreve o que pensa, o que vê e o que sente. Descreve através desta página a maneira singular com a qual vê o mundo, sua proposta é justamente expor tal universo particular, ou melhor, seu "reino". E como em todo conto infantil os reis são a autoridade máxima, a autora brinca: " Um dia, fui rei!". Rei de suas ideias, aspirações, e do colorido único que só sua imaginação tem.

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