Ditaduras implícitas

by 19:42 0 comentários
        Vou ser um pouco mais crítica e opinar sobre um assunto que venho guardando há tempos. Tenho medo desta sociedade que vem se construindo. O motivo é simples: cada vez mais, não existe respeito, extinguiu-se aquele costume "ultrapassado" de dizer "bom dia", e até mesmo as relações interpessoais vêm se fragilizando. Se as pessoas não sabem conviver umas com as outras , não se pode conceber a ideia de famílias estruturadas. E não falo a respeito de questões financeiras: pode-se ter de tudo no quesito material, e não ter felicidade (velho e verdadeiro clichê). 
        Fico me perguntando sobre os impactos que a tecnologia e a moda, por exemplo, causam na gente. Sinceramente, tenho medo. Porém, não vou ser hipócrita e dizer que não uso as redes sociais : elas são viciantes, e se não me policio, viro escrava das mesmas. E isso é triste (muito!)  porque não só como eu, grande parte da população mundial age assim. É triste saber que muita gente prefere conversar por telas de computador ao invés de sair e interagir com o outro, cara a cara. Não acredito que letras gélidas transmitidas nas mensagens virtuais sejam tão sinceras quanto o "olho no olho". 
        Só se vive uma vez (mais outra máxima verdadeiríssima). Quero saber se no dia do meu velório, os tais computadores vão chorar por mim. É óbvio que não. Antes de levantar tabus desnecessários, devo deixar claro que não sou contra a tecnologia (de jeito nenhum),  ela é essencial ao progresso , apenas deve ser usada de maneira saudável. E quanto aos tolos que só querem usar roupas "de marca" ? Que geração é essa? Mais outro motivo para eu temer. E aqueles que não se vestem como querem, mas sim,  usam roupas impostas pela "ditadura da moda"? Isso é ter personalidade, "estilo" ? Estilo, ao meu ver, é vestir-se como gosta, de modo a sentir-se bem e confortável. 
         Tem mais! Tenho pena dos que são adeptos à "ditadura da beleza":  indivíduos que praticamente não comem, ou vivem de suplementos só para caber naquele jeans que compram 2 números menores que seu verdadeiro tamanho, além de praticamente morarem nas academias. Sinto muito, prefiro "malhar" meu cérebro com uma boa leitura, pois , não sou idiota: a velhice existe, e junto com ela, vêm as rugas e marcas da idade. Então gera-se a dúvida: de que serviu todo aquele esforço desnecessário em prol de querer ser belo? O que restará de mim é o que sou por dentro, prefiro construir um bom caráter e aprender um pouco a cada dia (tanto com os livros, quanto com os outros).
        Pois é...o mundo está cheio de ditaduras implícitas. Meu objetivo ao escrever este texto foi alertar homens e mulheres sobre isso. Talvez minha cabeça seja mesmo de outra época, talvez eu seja , de fato, antiga (como já me foi dito, e eu digo, também) .  De todo modo, defendo aquelas práticas da época da minha avó: cumprimentar bem, tentar aprender o máximo que puder com as experiências coletivas, e , acima de tudo, a "humanização da humanidade" (termo que uso para denotar o fortalecimento dos laços entre os indivíduos e a transmissão de valores). Espero que lembrem-se um pouco mais da antiguidade, com outra visão, pois ela tem muito a acrescentar.
         

Natália Monte

Developer

A paixão pela escrita sempre foi característica de Natália Monte: alagoana de gênio forte, começou a escrever quando criança, e o envolvimento com as letras só aumentou com o passar dos anos. Escreve o que pensa, o que vê e o que sente. Descreve através desta página a maneira singular com a qual vê o mundo, sua proposta é justamente expor tal universo particular, ou melhor, seu "reino". E como em todo conto infantil os reis são a autoridade máxima, a autora brinca: " Um dia, fui rei!". Rei de suas ideias, aspirações, e do colorido único que só sua imaginação tem.

0 comentários:

Postar um comentário