Indagações de um desvalido

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     Toda criança sonha com apenas uma coisa: crescer. Crescer para ser adulto, grandioso e ter voz, para poder ter liberdade, autonomia, e ser "dono do próprio nariz". Tamanha ânsia pela independência é justificável e compreensível, de fato. Mas, existia um menino que transpunha as barreiras da vontade de ser mais velho. Seu nome era João.
     Morava numa casinha de taipa, lá pelas bandas do sertão de Pernambuco, brincava de subir em árvore, pega-pega, soltava pião e pipa,  roubava fruta dos sítios alheios. A simplicidade de sua residência, porém, contrastava com suas ideias: o garoto não só queria ser grande, mas também, ser maior do que o mundo. Questionava-se todos os dias em relação o motivo pelo qual nascera tão pequenino, franzino, sem importância. Via os bichos da caatinga correr, assistia ao pôr do sol, percebia o crescimento das plantas ao seu redor, e continuava a matutar. Sentia-se como um grãozinho de terra, que poderia ser levado pelo vento a qualquer minuto. O garoto não se contentava com a ideia de pequenez , e constantemente se perguntava qual seria sua função no planeta.
     João, certa vez, chegou perto de sua mãe e disse que gostaria de ser vizinho da lua. A matriarca soltou logo um grito, disse que era mais uma sandice do filho, traquinagem.  O menino, entretanto, não desistia, e dizia , todos os dias, que tinha o desejo de crescer a ponto de competir com a Terra, e tratá-la de igual para igual. Ninguém entendia os desejos da criança, nem mesmo os médicos da cidade, cujos auxílios já haviam sido solicitados pela mãe. Se era egoísmo, ninguém sabia.
      A verdade, todavia, era que o infante queria abraçar o planeta, pois o admirava por sua majestade e perfeição. Todas as noites, abria as janelas do quarto e admirava a lua, esticava a mão na esperança de ela tirá-lo dali e trazê-lo para mais perto da mãe-terra. Frustrado, desistiu do sonho de ser gigante, e deixou de olhar para o céu durante as noites.
      Certa noite, o garotinho recebeu uma visita: era uma mulher de cabelos dourados e pele alvíssima, surreal. Ela se apresentou, revelou sua identidade. Era uma estrela! Estrela essa que tinha vindo do espaço a mando da mãe-terra, para dizer que o planeta também o amava, e o abraçava a cada brisa que sentia na pele.

Natália Monte

Developer

A paixão pela escrita sempre foi característica de Natália Monte: alagoana de gênio forte, começou a escrever quando criança, e o envolvimento com as letras só aumentou com o passar dos anos. Escreve o que pensa, o que vê e o que sente. Descreve através desta página a maneira singular com a qual vê o mundo, sua proposta é justamente expor tal universo particular, ou melhor, seu "reino". E como em todo conto infantil os reis são a autoridade máxima, a autora brinca: " Um dia, fui rei!". Rei de suas ideias, aspirações, e do colorido único que só sua imaginação tem.

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