Ratos: reis da insegurança

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         Depois de uma discussão na aula de Antropologia, comecei a refletir a respeito dos padrões de beleza, e a violência que é viver para correspondê-los. Já escrevi algumas poesias e outros textos questionando o tema, mas, a Universidade me fez vê-lo de modo repaginado, sob outros ângulos, com novos aspectos em destaque. E lá vamos nós! 
         Triste mesmo é rebocar o de fora para remendar o que está por dentro. Esta frase resume a realidade mor da sociedade ocidental e capitalista, do consumo exacerbado. Homens e mulheres organizam suas vidas em torno dos cruéis padrões de beleza: selecionamos nosso ciclo social pela aparência, classificamos o que é belo e o que não é, e, por isso, tentamos sempre nos moldar a fim de estar in. Deixamos de comer o que queremos, tornamo-nos escravos das academias e exercícios físicos, deixamos de fazer o que queremos pelo medo da opinião alheia. Até que ponto somos os verdadeiros donos de nossas ações? É complicado.
          Falemos, então, dos ratos de academia. Sou um deles, e, de uns tempos para cá, comecei a perceber como dói malhar tanto em busca do corpo "perfeito". Será que vale a pena? E quando o exercício vira compulsão? Até que ponto é saudável? Exercícios são necessários, sim, vale ressaltar, mas a maneira que a mídia os vende põe a saúde em segundo plano: o que interessa, de fato, é ter aquele estilo fit e compulsivo de ser. É possível ser saudável sem ter o abdômen "trincado". O corpo definido passa a ser um padrão estético usado, muitas vezes, para criticar quem não o tem (exemplo:"fulana é tão gordinha, meu Deus, é muito desleixo, não se preocupa com a saúde"). 
         Como destacado na aula, o rigor do padrão é ainda maior em relação às mulheres, e toma proporções ainda mais ríspidas em cidades litorâneas. Quem nunca ouviu aquele quase-jargão "ela foi traída, mas também, não cuidava do corpo"? É um verdadeiro absurdo, e isso demonstra como um preconceito retroalimenta outro, o maldito machismo. Quantas mulheres não vivem com medo de que seus esposos as abandonem, e entram em depressão por não conseguirem alcançar um corpo aceitável? E quantos homens, também, já perderam a auto-confiança por não corresponderem à "boa forma"? 
        É preciso que haja equilíbrio. É preciso ter temperança, moderação. É preciso estar bem consigo mesmo, internamente, para ser feliz. Não adianta tentar resolver através da estética problemas que são internos, frutos de nossas próprias inseguranças, medos e ansiedades. Adianta ser "sarado" e não confiar em si mesmo? Busquemos a sensatez!

Natália Monte

Developer

A paixão pela escrita sempre foi característica de Natália Monte: alagoana de gênio forte, começou a escrever quando criança, e o envolvimento com as letras só aumentou com o passar dos anos. Escreve o que pensa, o que vê e o que sente. Descreve através desta página a maneira singular com a qual vê o mundo, sua proposta é justamente expor tal universo particular, ou melhor, seu "reino". E como em todo conto infantil os reis são a autoridade máxima, a autora brinca: " Um dia, fui rei!". Rei de suas ideias, aspirações, e do colorido único que só sua imaginação tem.

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