Humanoide

by 01:56 2 comentários


Somos tolos,
Bobos,
Lobos errantes.
Somos a pequenez,
Pobres,
Palhaços, infames.
Somos a poeira
Que o Universo tratou de expelir.
Somos o caminho bifurcado,
A lama e o rio.
Somos a marcha descontínua,
A multidão rebelde.
Somos o fogo que não se apaga,
Mas teme a água.
Somos o vento que sopra
E quer ir pra longe.
Somos- quem somos?
Somos as perguntas,
Somos as respostas,
Somos atitudes tortas,
O prato quebrado no chão.
Somos a rosa,
Somos o espinho na mão.
Somos os calos dos pés,
Burguesias, leprosos, ralés.
Somos quem foi,
Mas quis voltar.
Somos o café frio,
A coalhada azeda- a nata!
Somos a nata,
Somos o soro.
Somos a prata,
O pirata e o tesouro.
Somos quem escreve as notícias.
Somos nós quem sofremos,
Matamos, também.
Somos as mentiras,
As faltas, as mágoas.
Rancores.
Somos luz na estrada,
Somos nossas tragédias.
Somos monstros,
Somos mazelas.
Somos subúrbio, somos vielas.
Somos espera
Que espera
Não esperar.
Somos o sorriso torto,
Amarelo, descontínuo.
Somos a lágrima que derramaste.
Somos a saudade em teu peito.
Somos nós quem temos direito.
Somos o movimento imperfeito.
Somos caça, criatura.
Somos imagem, feitura.
Feiura.
Somos beleza, também.
Somos os vermes que choram
Amargos na noite.
Somos a esperança,
Somos lampejo.
Somos amigos - talvez -
Somos pobres vítimas
De nós mesmos.
Somos amor,
Somos desejo.
Cortejo dos desvalidos.
Somos todos os feridos
Esperando pela cura.
Somos dor, tontura,
Tortura.
Somos quem não te deixa dormir
Somos nós quem queremos fugir.
Mas, ah, meu amigo, somos!
E como somos...
E sentimos.
E pensamos.
E tentamos mudar.
Ah, meu amigo...
Somos humanos.


Natália Monte

Developer

A paixão pela escrita sempre foi característica de Natália Monte: alagoana de gênio forte, começou a escrever quando criança, e o envolvimento com as letras só aumentou com o passar dos anos. Escreve o que pensa, o que vê e o que sente. Descreve através desta página a maneira singular com a qual vê o mundo, sua proposta é justamente expor tal universo particular, ou melhor, seu "reino". E como em todo conto infantil os reis são a autoridade máxima, a autora brinca: " Um dia, fui rei!". Rei de suas ideias, aspirações, e do colorido único que só sua imaginação tem.

2 comentários:

  1. Lindo como todos os outros , Naná. Sua inspiração é fascinante. Não sei porque a demora de publicar um livro. O que é bom, deve ser expandido. Parabéns.

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  2. Lindo como todos os outros , Naná. Sua inspiração é fascinante. Não sei porque a demora de publicar um livro. O que é bom, deve ser expandido. Parabéns.

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