O cego que tudo vê

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Eu ando e vejo: é triste.
O calor nos rói os ossos,
Como se fosse punição;
Todo dia, rezo, e só peço
A Deus - se é que existe-
Que nos tenha piedade.
Somos tão falhos, tão mesquinhos,
Acomodados, auto-interessados;
Deus, oh, meu Deus!
Tende piedade de nossa pequenez,
Que acha normal ver gente dormindo
Na rua, sem sandália no pé.
Eu vejo, e é triste.
Piedade por nossa impotência,
Ou até mesmo falta de empatia.
Perdoai nossa ganância,
Que tira da boca a comida
Dos pobres desvalidos
Vítima de nossas mãos.
Eu vejo, e é triste.
Eu vejo, e choro baixinho.

Natália Monte

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A paixão pela escrita sempre foi característica de Natália Monte: alagoana de gênio forte, começou a escrever quando criança, e o envolvimento com as letras só aumentou com o passar dos anos. Escreve o que pensa, o que vê e o que sente. Descreve através desta página a maneira singular com a qual vê o mundo, sua proposta é justamente expor tal universo particular, ou melhor, seu "reino". E como em todo conto infantil os reis são a autoridade máxima, a autora brinca: " Um dia, fui rei!". Rei de suas ideias, aspirações, e do colorido único que só sua imaginação tem.

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